NASCIMENTO: 21/02/1960 – Monte Azul/MG
Entrada da Congregação: 28/01/1976
1ª profissão religiosa: 15/01/1983
Profissão perpétua: 13/12/1987
Sou Amélzia Maria da Soledade Dias, nasci numa cidade do interior de Minas Gerais (Monte Azul) e sou de uma família de 10 Irmãos. Desde menina participava das orações pedindo a Deus que enviasse chuva para o nosso chão seco pois vivíamos da agricultura e sem chuva a vida ficava muito difícil. Em outras ocasiões eu participava das imensas procissões de um sítio para o outro, para os novenários e festas dos santos.
Esta é a imagem que guardo da religiosidade da minha família. Na minha adolescência, já morando na cidade, participei da Legião de Maria, o que me estimulou a fazer uma leitura do evangelho no intuito de fazer algo de concreto. Semanalmente tínhamos a obrigação de rezar e fazer algum trabalho missionário para relatar na reunião seguinte.
E, eu como secretária do grupo, exercia o papel com alegria e fui aprendendo muito. Sentia muita alegria em fazer estes trabalhos, surgindo daí aquela vontade de dar continuidade. Eu pensava: se isto me faz feliz, devo escolher este tipo de vida, pois assim serei feliz por toda a vida. No dia que completei meus 15 anos de existência, escrevi uma carta para a Congregação das Irmãs Pastorinhas, falando do meu desejo de ser “irmã de caridade”, que era como eu sabia me expressar. Eu não tinha nenhum conhecimento sobre a vida religiosa, somente imaginava que eram mulheres que serviam a Deus nas Igrejas.
Por um ano continuei correspondendo com Ir. Antonia, que respondia as minhas variadas perguntas sobre vocação e o modo da vida das irmãs. Foi também de grande esclarecimento uma revista mimeografada que as Irmãs me enviavam, era o “Caminhando”. Depois de um ano, portanto aos 16 anos, a Ir. Antonia esteve na minha casa, conhecendo a minha família e ela me levou para Congregação. Tomamos o trem em Monte Azul, em direção a Belo Horizonte e meu primeiro impacto, foi quando meu pai que nos acompanhava até uma cidade vizinha, desceu na estação. Chorei muito e a Ir. Antonia me consolou.
Era a primeira vez que eu estava fazendo uma viagem tão longa e fui percebendo as dificuldades do caminho, desde a falta de costume de andar de ônibus até o novo ambiente numa enorme casa, como foi a minha primeira comunidade em São Paulo, na casa do Jardim. Tudo era novidade, eu só carregava alguma bagagem e muita força de vontade. E no coração, sem muita clareza, a intuição de que pudesse ser feliz fazendo o bem, ajudando o próximo. Fui conhecendo muitas pessoas, outras jovens que estavam na mesma busca que eu, e assim fiz o aspirantado em Iepê, onde foi marcante o ambiente de amizade encontrado na escola, na qual fiz o Magistério; a convivência com as Irmãs de modo especial a Ir. Terezinha (já falecida), pela compreensão e ternura para com aquele momento da minha vida.
A vida foi transcorrendo dentro da normalidade de uma jovem que acreditava que sua vida tinha um propósito e por isso prosseguia, às vezes vendo tudo com clareza, e em outros momentos com dúvidas e até vontade de desistir, como ocorreu com mais intensidade no noviciado. Superada esta fase, com o auxílio das Irmãs que estavam à frente da Província, prossegui e fiz a primeira profissão com 23 anos de idade. Sem interromper aquela primeira busca de “ser feliz ajudando o outro”, continuei a minha formação e hoje, faço parte da comunidade de Maceió/AL, onde acredito que posso contribuir com a humanização das pessoas através do meu trabalho como professora do Ensino Religioso, na rede pública e como professora de Biodança, me orientando na inspiração: “felicidade e amor me acompanharão todos os dias da minha vida”.
Assim foi na minha adolescência e continua na minha vida adulta. Sempre digo aos jovens, meus alunos, nossas escolhas do futuro, nós fazemos hoje na nossa vida. Siga sempre o seu coração e terá a imensa proteção do Deus da Vida.
Com carinho.
Ir. Amélzia