Vocação

27/3/2009 - O que é Vocação ?

O que é Vocação

É um chamamento de Deus. Ele toma a iniciativa e nos chama, nos escolhe. Inicialmente fomos chamadas à vida, pois Deus, no seu infinito amor nos criou à sua imagem e semelhança. Somos convocadas a cuidar desta vida que é um dom, um presente do próprio Deus. Também somos chamadas a ser cristãs, ou seja, irmãs e discípulas de Jesus.

Pelo batismo, fomos consagradas a Deus, tornando-nos membros de uma Igreja que busca seguir Jesus Cristo, colocando-se a serviço do outro. Portanto todas nós, desde o nascimento somos chamadas a uma ação: cuidar da vida, seguir Jesus... e quem chama espera uma resposta!

Vocação, portanto, é bem diferente de profissão:

Vocação:
• Chamado para ser;
• É para sempre, vivo 24 horas por dia;
• Eu vivo para ser feliz
• Vivo para o Reino de Deus.

Profissão:
• Chamado a fazer alguma coisa;
• Pode ser trocado, de acordo com a aptidão e capacidade de cada um;
• Dela depende o meu sustento;
• Posso aposentar-me.

Como vimos, todas somos chamadas a seguir Jesus, mas há três maneiras de faze-lo:


• De muito perto, como os doze apóstolos (Lc 6,12-16).
• De perto, como os setenta e dois discípulos (Lc 10,1-2).
• Sem compromisso, como a multidão (Lc14, 25-27).

Qual das três é a sua atitude?

Vida religiosa: a vocação a Vida Religiosa Consagrada é uma das vocações específicas, ao lado da vocação dos(as) leigos(as) (solteiros, consagrados ou casados), dos sacerdotes, e dos missionários. Como todas as outras vocações brota do batismo, do ser um bom cristão: “Só quem decide ser cristão pra valer, é que tem a possibilidades de ser um(a) religioso(a) um dia”.

 É uma opção de vida, uma “escolha livre”, através da qual a pessoa procura responder à proposta feita por Jesus Cristo: “Vem e segue-me”. A pessoa opta por realizar o Projeto de Vida que Jesus Cristo lhe propõe em favor dos(as) irmãos(ãs). Desta opção radical, que é seguir Jesus “muito de perto”, resulta a “Consagração Religiosa”, através dos votos de pobreza, castidade e obediência.

... a pessoa se entrega totalmente nas mãos de Deus, e busca fazer a vontade Dele, assim como Jesus e sua Mãe Maria ...

 Muitos homens e mulheres seguem este caminho. São chamados de Religiosos e Religiosas e vivem em Congregações, Ordens ou Institutos formando Comunidades de Vida Fraterna, de serviço e oração, cumprindo sua missão e tendo tudo em comum. Assim, os religiosos mostram ao mundo que o Evangelho de Jesus Cristo é possível de ser vivido radicalmente, e faz FELIZES aqueles que o seguem.

O Religiosa e a Religiosa:

 

  • São pessoas de oração, colocam Deus no centro da sua vida. Dedicam um tempo do dia para meditar a Palavra de Deus, e para seu cultivo espiritual. O trabalho é feito como serviço aos(às) irmãos(ãs).
  • A Eucaristia é o centro de sua comunidade e de sua vida.
  • Honra de maneira especial a Virgem Maria, Mãe de Deus, companheira e proteção da pessoa consagrada.
  • Consagram-se totalmente a Deus e aos irmãos vivendo os votos de castidade (Como Jesus, entregam o seu Ser a Deus, e não se casam, estando mais livres para o serviço da evangelização) pobreza (é saber repartir os dons espirituais, materiais e humanos. Tudo o que têm, colocam em comum, a serviço da comunidade e das pessoas) e obediência (obedecem primeiro a Deus que os chama, e procuram, junto com as pessoas de sua congregação, fazer a vontade de Deus a seu respeito).


Cada Congregação Religiosa tem seu “Carisma”, que é a forma como os fundadores ou fundadoras assumiram o projeto de Jesus. Normalmente, cada fundador é sensível a uma realidade gritante e reúne pessoas para que, consagradas a Deus, dediquem-se ao serviço dos irmãos, de acordo com as “dores” de cada um, buscando gerar vida, onde existem situações de morte.

Sinais de vocação

Eis alguns sinais que costuma estar presentes em todos os vocacionados, e são de grande ajuda num caminho de discernimento vocacional:

1. Espiritualidade: Este é um sinal fundamental numa vocação de especial consagração (sacerdócio e vida religiosa). Sem ele, todos os outros perdem a força. Ter uma experiência pessoal de um deus que nos ama é fundamental, porque somente experimentando este amor, poderemos também amar, e consagrar a vida a serviço dos irmãos.


2. Sensibilidade: Diante das necessidades e sofrimentos dos outros. Isto leva a defender e ajudar o empobrecido, o marginalizado, o necessitado, colocando apropria vida a serviço daqueles que mais precisam. Amar o que o mundo não ama: os pobres. Querer o que o mundo não quer; Justiça. Viver como os grandes e poderosos não vivem: disponibilidade de serviço. Ser forte e corajoso, sem perder a ternura jamais.


3. Liderança: Para criar comunidade. Líder é aquele que orienta todo tipo de ação ou ideal em benefício dos outros. É fundamental saber trabalhar junto com os outros. O líder valoriza, anima, apóia, organiza, partilha tarefas, responsabilidades e até a própria vida.Tem espírito de gratuidade e de iniciativa: vive uma atitude de serviço.


4. Criatividade: Nos relacionamentos interpessoais, na vida, no apostolado. Quem ama, inventa mil formas de aproximar-se do amado. Sabe comunicar-se e escutar os outros: manifesta as idéias, projetos com claridade. Capacidade de se integrar numa comunidade e de superar as dificuldades de convivência. Renuncia em favor dos outros: capacidade de perdoar e aceitar o perdão.


5. Idealismo: Desejar além do presente e do que se vê. Carregar dentro do próprio peito esperança duradoura, capaz de transformar realidades mesquinhas. Ter convicções profundas, sonhar com dias melhores, crendo que o que somos e fazemos é semente de novo céu e nova terra. Ter vontade de anunciar os valores do evangelho: a verdade e a paz, e proclamá-los com alegria e esperança a todos.


6. Descobrir o sentido profundo de viver: Todos queremos ser felizes, mas muitos procuram felicidade onde ela não se encontra. A felicidade, como todas as outras coisas, deve ser feita, construída. Quando alguém se questiona sobre o que fazer para que os outros sejam mais felizes, descobriu a fonte da felicidade e já experimentou, dentro de si um chamado especial.


7. Firmeza: Nas convicções e nas decisões, saber dizer sim e saber dizer não quando isto for necessário, seguindo os valores do Evangelho de Jesus. Dependendo deste sim e deste não que dizemos, vamos fazendo caminho, vamos por uma estrada ou outra e vemos como umas portas se fecham e outras se abrem. É importante saber onde queremos chegar para não percorrermos caminhos que não levam a lugar nenhum. Saber compreender sem perder o rumo da caminhada, saber amar, sem por isso ter que parar.


8. Liberdade: exterior (diante das pressões da família, amigos, sociedade...) e interior (fugas, compensações, auto-realização, orgulho, medo do sexo, fuga de uma crise sentimental). Somente com liberdade interior e exterior, podemos dar um sim generoso a Deus, dar a resposta ao seu chamado.


9. Afetividade: alegria interior, capacidade para a vivência dos votos, relacionamento familiar normal, relacionamento equilibrado com as pessoas de ambos os sexos, integração no próprio grupo e ambiente.